Abreviação, abreviatura, siglas e grafia de siglas

 

Para começar, não devemos confundir abreviação com abreviatura.

Entre esses dois processos de formação de palavras há uma diferença

nada sutil.

 

A abreviação ou redução vocabular consiste no emprego de uma

parte da palavra pelo todo.

moto (por motocicleta)

foto (por fotografia)

zoo (por zoológico)

bi (por bilhão)

 

Também há o caso de abreviação em que se utiliza apenas um prefixo ou um

dos elementos de uma palavra composta para designar o todo:

lipo (por lipoaspiração)

micro (por microcomputador)

vice (por vice-presidente, vice-governador, vice-prefeito)

 

A abreviatura é a representação de uma palavra por meio de

algumas de suas sílabas ou letras:

pág. ou p. (página)

m (metro)

Fís. (Física)

 

Quer saber sobre siglas?

As siglas são muito comuns, principalmente em textos sobre economia, os

científicos e os jornalísticos em geral. Constituem um tipo especial de

abreviatura, feita com as letras iniciais, ou mesmo as sílabas iniciais das

palavras que a compõem:

ONGOrganização Não Governamental

OABOrdem dos Advogados do Brasil

IBGEInstituto Brasileiro de Geografia e Estatística

EmbraturEmpresa Brasileira de Turismo

 

É interessante notar que das siglas podemos derivar outras palavras:

Celetista (de CLT – Consolidação das Leis do Trabalho)

Petista (de PT – Partido dos Trabalhadores)

Dedetizar (de DDT – diclorodifeniltricloroetano)

 

Com relação à grafia de siglas, convém observar os seguintes critérios:

  • Siglas formadas por até três letras devem ser grafadas em

letras maiúsculas: OAB, CBF, ONU, STF, CPF, ONG, PT.

  • Siglas com mais de três letras devem ser grafadas com  letra

inicial maiúscula e as demais letras minúsculas: Incra, Fiesp,

Embratur, Bovespa, Funai, Ibama, Ibope.

  • Se, no entanto, as siglas formadas por mais de três letras não

puderem ser pronunciadas como uma palavra, também serão

grafadas em letras maiúsculas: ABNT, INSS, BNDES, CNBB,

DNER, IBGE, PSDB, FGTS.

 

O artigo que acompanha as siglas deve ser do mesmo gênero da

palavra presente no nome da instituição. Por esse motivo

devemos dizer:

a Embratel (a Empresa Brasileira de Telecomunicações)

a ABL (a Academia Brasileira de Letras)

a CBF (a Confederação Brasileira de Futebol)

a CNBB (a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil)

o CPF (o Cadastro de Pessoas Físicas)

o STF (o Supremo Tribunal Federal)

o SBT (o Sistema Brasileiro de Televisão)

 

Seguindo essa regra, deveríamos dizer a DDD (a discagem direta a

distância) e a DDI (a discagem  direta internacional).  No entanto,

o uso já consagrou essas siglas como masculinas: o DDD e o DDI,

porque se estabeleceu concordância com o nome da letra d (o dê)

e não com a palavra discagem.

 

O plural das siglas

 

Não há regras rígidas ou aprovação de convenção acerca da formação

do plural de siglas. Está consagrado o uso de   um “s” (minúsculo)

após a sigla: CDs, PMs, CPIs, ONGs, IPTUsIPVAs, Ovnis, CPFs,

OTNs, BTNs, Ufirs.

Isso significa que se deve unir o s sem artifício algum, como é o caso

do apóstrofo.

Não se justifica o uso do apóstrofo (CD’s, OTN’s, Ufir’s).  Só para

exemplificar, ninguém pensaria em dizer o plural de caneta

como caneta’s.

 

Não se pode dizer que essa mania seja uma tentativa de americanizar

o modo de escrever o vocábulo, uma vez que, no próprio inglês,

quando o s representa o plural, vem ele unido diretamente ao

vocábulo (terms, translations).

 

No Português, o apóstrofo é para indicar a omissão de um fonema

(copo de água = copo d’água).

 

Fontes:

Curso Prático de Gramática, de Ernani Terra

Dicas do Professor Sérgio Nogueira

Manual de Redação Profissional, José Maria da Costa

Anúncios