Gênero, número e grau ou gênero e número?

 

 

Você já deve ter ouvido falar inúmeras vezes que alguém concorda

em gênero, número e grau com a opinião de outra pessoa a respeito

de determinado assunto, não?

 

Vamos relembrar:

As classes gramaticais  substantivo e adjetivo  apresentam três

possibilidades de flexão, variação ou mudança, que são gênero,

número e grau.

 

Gênero indica o masculino e o feminino: livro, menino, casa.

Número indica o singular e o plural: livros, meninos, casas.

Grau pode ser aumentativo e diminutivo: livrão, livrinho.

 

Na nossa gramática tradicional havia o entendimento de que o grau era

uma forma de flexão. Desde a década de 1960 diversos linguistas e

gramáticos entendem que na alteração do grau do substantivo não

ocorre flexão da palavra, porque ele, o grau, não interfere na

concordância nominal; o gênero e o número, sim.

O grau é uma forma de derivação e seu uso é optativo.

 

Exemplificando:

Das expressões livro bonito, livrinho bonito, livrão bonito, livro

bonitinho, livro bonitão, livros bonitos, gravuras bonitas, todas

corretas em português, podem-se extrair algumas conclusões

importantes quanto aos substantivos e adjetivos:

Estado normal: livro, gravura, bonito;

Gênero: feminino – gravura bonita;   masculino – livro bonito;

Número: livros bonitos –   gravuras bonitas;

Grau: diminutivo – livrinho, gravurinha, bonitinho, bonitinha;

aumentativo – livrão, gravurona, bonitão, bonitona.

Você pode escrever livro bonitinho, livrinho bonito; gravura

bonitinha, gravurinha bonita e pode fazer o plural dessas expressões.

Note que o adjetivo tem que ser uma verdadeira sombra do

substantivoacompanhando-o em sua flexão.

 

Só por esse motivo já podemos dizer que, tecnicamente, em tais casos,

o adjetivo concorda com o substantivo por ele modificado em

gênero e número.

 

Para concordância em grau, seria necessário que o grau do

adjetivo (bonitinho – bonitinha, bonitão – bonitona) também

seguisse a flexão ou alteração do substantivo.

Há essa obrigatoriedade? Claro que não. Isso dependerá da intenção

do falante, não de regras gramaticais estabelecidas.

É opcional escrever livrinho bonitinho, gravurinha bonitinha, livrão

bonitão, gravurona bonitona. Questão de gosto, mas não de concordância

em grau.

 

Podemos concluir que concordar com gênero e número é algo

obrigatório, deve acontecer, tendo em vista as regras da gramática

normativa.

Ficou mais claro que é incorreta a expressão que muitos empregam

para significar concordância total de uma pessoa com outra: Fulano

concorda com Sicrano em gênero, número e grau?

É correto dizer que “Fulano concorda em gênero e número

com Sicrano”.

Só em gênero e número.

 

 

Curiosidade:

Esse é um erro que talvez remonte aos velhos tempos em que se

estudava latim, língua essa em que o adjetivo, além de gênero e

número, também concorda em caso (nominativo, vocativo, genitivo,

dativo, ablativo ou acusativo) com o substantivo modificado, motivo

por que é correto, então, dizer, pensando na língua ancestral:

“Fulano concorda com Sicrano em gênero, número e caso“.

Como são raros os que, nos dias de hoje, entendem um pouco de latim,

talvez seja melhor dizer apenas gênero e número, muito embora

não esteja errado o emprego da expressão gênero, número e caso.

É melhor deixar o caso pra lá.

O que, porém, é inadmissível é dizer:Fulano concorda com Sicrano

em gênero, número e grau“.

Fontes:

Curso Prático de Gramática, Ernani Terra

Manual de Redação Profissional, José Maria da Costa

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